Adivinha o que eu queria ser?

Pelo nome do meu blog e pela história que contei para explicar a escolha de “A lousa do quintal da minha vó”,  já dá para imaginar o que eu queria ser quando crescesse, né?  Sim, professora.  Hoje era para ser o meu dia.  Mas não é. 

A minha lousa, além de ser testemunha e cúmplice das coisas que eu escrevia, servia também para eu dar aulas para as minhas bonecas.  Colocava todas elas enfileiradas na minha frente prestando atenção no que eu estava ensinando. Qualquer um que passasse por ali naquela hora – no quintal da minha avó – também tinha que sentar na minha sala de aula e aprender alguma coisa.

Eu adorava ensinar regras complicadas de gramática, técnicas para desenhar personagens de HQ e problemas de matemática, mas a minha especialidade mesmo era alfabetizar.  Todas as empregadas que iam trabalhar na minha casa – na época que eu era criança, elas costumavam dormir lá – tinham que aprender a ler e escrever comigo.  Eu não sossegava enquanto não via que elas tinham aprendido a pelo menos escrever o nome e a ler alguma coisa.  Adorava a sensação de ter feito alguma diferença na vida de uma pessoa.  Me sentia importante, como todos os professores deveriam se sentir no dia de hoje e sempre.

Não sei onde esta minha vontade se perdeu.  Ou não se perdeu, apenas foi deixada de lado para que eu pudesse me dedicar a outros interesses que me pareciam mais prósperos.  Acho que me deixei desanimar pelas dificuldades que a profissão de professor apresentava – neste país em que são tão desvalorizados – e fui trilhar outro caminho.  Nunca vou saber se fiz a coisa certa.  Tento sempre achar similaridades entre o ofício do professor e do publicitário e acredito que existem alguns pontos em comum.  As duas profissões lidam com pessoas, sentimentos, conhecimento, repertórios de palavras e com a arte de se expressar através delas.  É a comunicação para ensinar e a comunicação para vender – no bom sentido da palavra: vender ideias, conceitos, significados, valores e também produtos, é claro!

Mas hoje, depois da escolha feita, continuo admirando (e muitas vezes invejando) os professores.  Nas reuniões de pais na escola dos meus filhos, adoro ouvir as professoras explicarem os projetos que estão sendo propostos, os métodos de ensino que estão sendo aplicados e o desenvolvimento que as crianças estão tendo.  Sempre choro.  Já até me acostumei com os olhares dos outros pais e nem sinto mais vergonha.  Eles não sabem que um dia, o meu sonho foi estar bem ali, ensinando os seus filhos…

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3 comentários (+add yours?)

  1. Mari
    Out 16, 2010 @ 19:39:05

    Lê, as lágrimas quase não me deixam escrever…Como você, sempre quis ser professora… Realizei meu sonho!!! Amei saber que vcê Admira meu trabalho e é um presente p/mim e meus colegas receber essa homenagem!!!!!!!!! Estou amando seus textos…..PROFESSORA DE CORAÇÃO!
    M. rosa

    Responder

  2. alousadoquintaldaminhavo
    Out 29, 2010 @ 02:05:55

    Mari, pode ter certeza de que você foi uma das inspirações para este texto. Parabéns pelo exemplo de mulher que você é. Que este blog seja uma forma de estarmos mais próximas, pelo menos através das palavras. Obrigada pelo incentivo! Muitos beijos!

    Responder

  3. Ge
    Nov 02, 2010 @ 20:56:56

    Lê, posso imaginar a professora incrível que vc seria.
    Acho que vc é e poderia ser muitas outras coisas incríveis, mas professora seria a mais legal – acho que estou falando isso pq amaria que vc fosse professora das minhas filhas…

    Responder

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