Top 10

 

Listas de “10 mais” sempre estiveram na moda e acho que nunca vão sair do top 10 das coisas que as pessoas adoram ler.  Os 10 melhores filmes, os 10 livros mais vendidos, os 10 homens mais bonitos, os 10 vídeos mais engraçados do YouTube, as 10 novas tendências do verão, as 10 viagens mais incríveis, as 10 bandas de rock de maior sucesso e por aí vai.  Todo mundo gosta de dar uma olhadinha em listas de top 10, mesmo que o assunto não seja tão interessante assim.  Pode ser porque tudo o que é embalado como top 10 se transforma automaticamente em uma seleção sacramentada do que é melhor dentro de um determinado tema.  Tem também a curiosidade de saber se a preferência da maioria (estas listas normalmente são geradas a partir de votações populares ou da opinião de entendidos e especialistas no assunto) coincide com os nossos gostos.  Algumas pessoas devem até se preocupar quando encontram alguma lista em que não tenham experimentado/conhecido/realizado pelo menos um item, devem se sentir descoladas do senso comum (será que isso é ruim?).

Mostre uma lista de “10 melhores” para qualquer um e observe a reação.  Quanto mais itens a pessoa conhece ou realizou, mais orgulhosa ela fica.  Significa que ela é antenada, in, que está por dentro.  Mas significa também que ela está na média: leu os livros que todo mundo leu, gosta das mesmas coisas que todo mundo gosta, acha lindo o que todo mundo admira, faz o que todo mundo costuma fazer, conhece o que todo mundo já sabe.  Será que as pessoas se sentem mais aceitas e seguras quando descobrem que fazem parte de uma maioria?  Imagino que o ato de “ticar” itens em rankings de 10 melhores, 10 mais legais, 10 mais importantes ou 10 mais divertidos, deve trazer uma grande satisfação para algumas pessoas.  Para mim não.  Até gosto de dar uma espiadinha em listas prontas, mas prefiro criar meus próprios top 10É muito mais divertido, tenho certeza de que ainda vou cair em tentação e fazer alguns por aqui…

Mas nem todo top 10 tem como objetivo indicar unanimidades ou classificar o que é bom e o que é ruim.  Um top 10 pode ser apenas mais uma forma de apresentar opiniões pessoais ou contar experiências e coisas legais organizadas por ordem de preferência, importância ou qualquer outra ordem que o dono da lista escolher.

O site  Listverse reúne simplesmente 1.580 listas de “10 mais” de várias categorias como Crimes, Coisas  Bizarras (a melhor), História, Comida, Entretenimento, Cinema e até Religião.  Todos os dias um novo top 10 é postado.  Listas para todos os interesses e gostos (e mau gosto) relacionam, sei lá por quais critérios, desde os “10 Mistérios que nunca foram descobertos” e os “10 livros infantis mais politicamente incorretos”, até “as 10 coisas mais estranhas que você pode comprar na Amazon.com”.

Vou aproveitar e já começar a fazer minhas listinhas pessoais…selecionei os 10 top 10 que achei mais interessantes no site.  Vale uma visita!

1) Top 10 Unusual Hotels

2) Top 10 Well Known People and their Phobias

3) Top 10 Best Disney Songs

4) Top 10 Bizarres Places to get Married

5) Top 10 Most Influential Psychiatrists

6) Top 10 Americans Icon that are not American

7) Top 10 Strangest Animals

8 ) Top 10 More Fascinating Facts that are Wrong

9) Top 10 Greatest Food Combinations

10) Top 10 Words that can’t be translated to English

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Cheiro de filho

Tenho o costume (ok, pode chamar também de mania, vício ou até TOC ) de toda noite ir até o quarto dos meus filhos e cheirar a cabeça deles.  Não, não é em qualquer lugar da cabeça, é em uma parte específica em que descobri a maior concentração do verdadeiro cheiro da criança.  É sério, é no alto da testa, onde nasce o cabelo.  É onde a criança geralmente fica mais suadinha.  Há pouco tempo atrás, estava no pediatra dos meus filhos e coincidentemente ele explicou que as crianças têm muitas glândulas sudoríparas na cabeça e por isso, este é um lugar onde suam bastante.  Pronto, está cientificamente comprovado que este é realmente o cheirinho dos meus filhos!

Todos os dias, depois que eles dormem, vou até a cama de cada um, vejo se estão cobertos, se estão respirando (duvido que exista alguma mãe que nunca fez isso!), dou um beijinho de leve na bochecha, levanto a franja da testa deles e cheiro aquele lugarzinho especial.  Inspiro o aroma como se fosse o oxigênio que preciso para viver.  Encho os pulmões e invariavelmente meu coração fica disparado.  Tenho a sensação da felicidade plena e absoluta.  

Automaticamente começo a rezar e pedir a Deus que proteja meus anjinhos, para quem eu daria a minha vida um milhão de vezes, se fosse necessário.  Faço isso todas as noites com o Pedro e com o Thiago – olho, cubro, beijo, cheiro e rezo.  Cada um tem o seu cheiro.  O cheiro do Pedro é suave e o cheiro do Thiago é doce.  Reconheceria esses dois cheiros a quilômetros de distância.  São os cheiros que me dão energia e a certeza de que sou a mãe mais feliz do mundo. 

Vivo manifestando meu amor pelos meninos de forma bem explícita e muitas vezes exagerada.  Estou sempre beijando, abraçando, apertando, elogiando, dizendo que amo, enfim, não economizo carinho e esse é meu jeito de demonstrar o que sinto.  Mas o momento do “cheirinho” é diferente.  É suave, sagrado e intenso.  Eles não vêem, mas o amor que inunda o quarto é tão gigantesco, que com certeza nessa hora, seus sonhos são os mais lindos e doces que podem existir.

Meus cheirosos lindos!

Orgulho de ser Giovanni

Já estou na Giovanni+DraftFCB há bastante tempo, mas ultimamente, tenho tido ainda mais orgulho dos trabalhos desenvolvidos pela agência.  Uma campanha publicitária é o resultado do trabalho integrado (e árduo) de muitas áreas da empresa – Criação, que tem a ideia criativa e executa todas as peças da campanha, Planejamento, que faz toda a análise de mercado, concorrência, produto, comportamento do consumidor e dá as diretrizes estratégicas para a Criação ter a “big idea”, Mídia, que define onde a campanha tem que ser veiculada para ter seus objetivos e público alcançados, Produção e RTV para finalizar os anúncios, produzir os filmes para TV e spots para rádio, e Atendimento (eu!) que amarra todas as pontas, acompanha todas as etapas com todas as áreas, coordena as entregas e cronogramas, e faz todas as apresentações, aprovações, argumentações e  relacionamento com o Cliente (que é a empresa que está anunciando e pagando a campanha).  Esta é uma explicação bem simplista de um processo que leva meses e demanda muita dedicação, conhecimento e talento dos profissionais envolvidos. 

Colocar uma campanha no ar dá muuuuuito trabalho, mas quando vemos o resultado – na TV, Cinema, Rádio, Revista, Jornais, Mídia indoor, etc. – sentimos que toda correria, stress, pressão e noites viradas valeram a pena.  E quando a campanha consegue mexer com os sentimentos das pessoas é ainda mais gratificante.

A Giovanni tem tido a oportunidade de fazer coisas lindas – e isso requer, além de um trabalho inspirado da agência, um cliente disposto a aprovar ideias ousadas e/ou pagar por produções sofisticadas e caras.  É o caso do filme que fizemos para a Canon, que começa a ser veiculado amanhã, dia 15/11, mas já está sendo divulgado em versão estendida (e ainda mais bonita) na internet.  O roteiro é lindo e a produção primorosa.  Vale a pena ver, rever e se emocionar.  Não é para ter orgulho?

A emoção também foi explorada na campanha que fizemos este ano para o Fleury, que ainda era meu cliente (não sou mais o atendimento da conta) quando foi planejada, concebida e executada, e que foi veiculada de julho a outubro.  Também tenho muito orgulho do resultado deste trabalho: dois filmes (entre várias outras peças) que concretizam o conceito planejado para a marca.

Este é o novo filme da Brastemp (não é da Giovanni, mas é muito bom!), que a partir de uma ideia muito bacana, conseguiu associar o posicionamento da marca – “Assim, uma Brastemp” – a uma atitude inspiradora e contagiante.

Aproveito para compartilhar também alguns filmes internacionais e antigos que me emocionam pela simplicidade, sensibilidade e pela força da mensagem.





Sinal vermelho

O stress é o grande vilão da vida moderna, o mundo corporativo exige que seja feito tudo ao mesmo tempo e agora (e se não fizer tem quem faça), as mulheres exercem papéis múltiplos de mãe, mulher, esposa, profissional, dona de casa (e ainda se culpam quando não conseguem fazer tudo o que precisavam), o mundo parece mais acelerado que antes (exceto quando estamos parados durante horas no trânsito).  Blá blá blá blá blá…todo mundo está careca de saber de tudo isso,  já é um assunto batido e explorado ao extremo, e como eu ia dizendo, ninguém tem tempo para isso!

Após o ápice do assunto stress, veio a onda da qualidade de vida, priorização da saúde, equilíbrio emocional, valorização da vida pessoal, outro blá blá blá sem fim que serviu apenas para mascarar o mal que já estava irremediavelmente enraizado na chamada vida moderna.  Aliás, serviu também para complicar ainda mais a nossa vida.

Veja o meu caso: trabalho cerca de 9 horas por dia (em determinadas épocas, a carga horária chega a 12, 13, 14 horas!).  Faço questão de pelo menos levar meus filhos na escola (para não correr o risco de ficar sem vê-los, afinal, não sei se o dia vai até às seis da tarde ou até a meia noite), de arrumar a mochila e lancheira deles todos os dias (além de ler as agendas, comunicados, assinar autorizações, responder recados das professoras, pagar os passeios…) e de conseguir brincar, conversar, beijar, abraçar e fazer dormir as pessoinhas que mais amo na vida.  Tenho que dar orientações e atenção para a Sandra, que apesar de cuidar da minha casa com muita competência e dedicação, precisa que a dona da casa dê algumas diretrizes do que precisa ser feito e resolva as questões domésticas mais importantes.  Preciso também fazer supermercado, ir à farmácia, padaria, comprar presentes de aniversário, roupas para os meninos – inclusive para as festas que precisam de vestimentas especiais: Carnaval, festa junina, halloween, eventos da escola – e roupas para mim (ok, não vou reclamar desta parte).  Como publicitária, tenho que estar sempre muito bem informada, seja sobre política, cultura, inovações tecnológicas, redes sociais, mercado publicitário e até sobre o que está acontecendo no Big Brother Brasil.

Além de, é claro, ter que manter as unhas feitas, a depilação em dia e o cabelo cortado.  Ligar para as amigas (afinal, a amizade também precisa ser alimentada), falar com a mãe, falar com a sogra, tomar pelo menos 2 litros de água por dia, fazer xixi para eliminar todo esse líquido, se alimentar de 3 em 3 horas e escovar os dentes após cada refeição.  Tenho também aula de Pilates, médico, pediatra dos meninos, dentista, e ocasionalmente uma drenagem linfática ou um happy hour para garantir a qualidade de vida…

Ah, tem o marido.  Tem que estar disponível, dar carinho, amor, atenção, e ainda ter criatividade para não deixar o casamento cair na rotina.  Sem esquecer de encontrar um tempinho para tomar banho e dormir todos os dias, é claro.

Mas ser mulher maravilha tem seu preço.  Atenção aos sintomas que sinalizam que você está perdendo o controle da sua vida ou que alguma coisa está errada (baseados em fatos reais):  

– quando você não consegue comprar o que precisa no shopping porque as lojas fecham muito cedo (22 hs!)
– quando você acha um absurdo as padarias e farmácias não funcionarem 24 horas.
– quando você ouve a musiquinha do programa do Jô e pensa: – Ué, achei que ainda estivesse no Jornal Nacional!
– quando acha que está no lucro quando consegue dormir 4 horas por noite – e ainda seguidas!
– quando começa a reclamar que os filmes do Intercine e Corujão são uma porcaria.
– quando sai para almoçar e encontra os restaurantes tirando os pratos do buffet e colocando as cadeiras em cima das mesas.
– quando seu marido diz que precisa te contar uma coisa na segunda-feira e você só fica sabendo do que se trata no sábado.
– quando você reza para chegar o feriado para poder arrumar o seu armário.
– quando você acha na bolsa um pedido de exame médico de 6 meses atrás.
– quando seu filho pede para jogar futebol com ele e você sugere que ele jogue DS ou faça um desenho só para poder ficar um pouco sentada.
– quando você vai fazer seu filho dormir e dorme antes que ele – e em qualquer posição.
– quando você prefere que não tenha feriado para não ter que trabalhar o dobro na semana seguinte.
– quando você consegue dar uma cochilada enquanto o sinal está fechado, acorda com buzinadas e não sabe onde está .
– quando só você consegue assistir a todos os jogos da Liga Mundial de Vôlei Feminino, que acontece no Japão.

É, não tá fácil não…mas ainda tenho tempo de escrever aqui…não é incrível?

Palavras de Chico

Uma Palavra (Chico Buarque)

Palavra prima
Uma palavra só, a crua palavra
Que quer dizer
Tudo
Anterior ao entendimento, palavra

Palavra viva
Palavra com temperatura, palavra
Que se produz
Muda
Feita de luz mais que de vento, palavra

Palavra dócil
Palavra d’agua pra qualquer moldura
Que se acomoda em balde, em verso, em mágoa
Qualquer feição de se manter palavra

Palavra minha
Matéria, minha criatura, palavra
Que me conduz
Mudo
E que me escreve desatento, palavra

Talvez à noite
Quase-palavra que um de nós murmura
Que ela mistura as letras que eu invento
Outras pronúncias do prazer, palavra

Palavra boa
Não de fazer literatura, palavra
Mas de habitar
Fundo
O coração do pensamento, palavra

 

Sou apaixonada pela nossa Língua Portuguesa.  Chego a ter amor por algumas palavras.  Outras gosto por gostar, simpatizo, gosto de graça. 🙂

E quando duas ou mais palavras são combinadas perfeitamente?  A magia acontece.  Assim como“cheiro de flor”, “sopro de vida”, “amor de mãe”, “papel de carta”, “noite enluarada”, “alívio imediato”, “amor eterno”, que quando juntas, parecem ter nascido uma para a outra.  Fico até emocionada quando alguma frase consegue fazer esta combinação perfeita e virar poesia.  Uma frase singela quando bem construída, vira uma obra de arte, como esta que li em “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, e que me lembro até hoje:  

“O menino mais velho esfregou as pálpebras, afastando pedaços de sonho.” 

Não é lindo demais?  Ele apenas queria dizer que o menino estava acordando.  Só isso.  Mas como ele é Graciliano Ramos, o fez da forma mais poética possível.

Chico Buarque para mim, é um gênio na arte de juntar palavras.  Adoro seus livros e principalmente as letras de suas músicas, que combinam palavras inusitadas com um resultado lindo:

“no tempo da delicadeza” / “se enluaravam de felicidade” / “e pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz” / “que a saudade dói latejada” / “se na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu” / “prá lá deste quintal, era uma noite que não tem mais fim” / “a gente se desvencilhar da gente” / “com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar”. 

Assim como Graciliano Ramos, Chico consegue transformar frases em poesia.

As palavras me encantam pela sua sonoridade, significado ou apenas pela sua forma.  LIBÉLULA.  Uma palavra cheia de “éles”, praticamente um exercício aeróbico para a língua.  Linda na grafia e na sonoridade, é uma das minhas favoritas.

Aconchego, cafuné, singelo, primavera, poema, pássaro, ternura, jardim, encanto, framboesa, varanda, afago, doçura, alado, gaiola, estrela, poente, eterno, amora, emblemático, firmamento, pérola, bailarina, sagrado…adoro todas elas (e muitas outras que não me lembro agora!)

Gosto também de algumas palavras que não são muito usadas – usá-las pode parecer bem esnobe – mas são muito interessantes.  Palavras poderosas, que impõem respeito e que carregam um significado complexo e profundo. 

Resiliência: capacidade humana de sobreviver às grandes tragédias, se adaptar às situações adversas e resistir às pressões sem sucumbir.

Redenção: se redimir pelo sofrimento, se livrar de um mal mediante um sacrifício, libertação, salvação.

Subserviência: se submeter às vontades de outra pessoa, servir, ser condescendente, ter compulsão por obedecer e reprimir suas próprias vontades.

Resignação: aceitação passiva das contrariedades da vida, espera paciente de um resultado, conformidade diante dos acontecimentos.

Intermitente: o que não é permanente, o que é interrompido por períodos, intercalado.

Tá bom, tenho que admitir que a nossa língua também tem palavras bem feias e esquisitas…

Elixir, unguento, girino, coifa, quelóide, esôfago, sobrancelha, fronha, óbvio, equívoco, constirpação, trâmite, intrínsico, uivo, dorso, cérebro, frustração, bugalho, furdúncio, pungente…fora nomes de doenças e palavrões que não fica bem citar aqui.

Para finalizar, 3 videos com as minhas músicas preferidas do Chico – e ainda com alguns depoimentos dele de lambuja (nossa, essa palavra vai entrar também na lista das feias!) – e de onde tirei alguns dos fragmentos de poesia que citei no texto.

“Button, Button”

Alguns valores são recorrentes na lista dos obrigatórios na educação de um filho (ou deveriam ser), como a importância de não fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco.  Pelo menos este ensinamento sempre foi um dos que meus pais davam maior ênfase.  Meu avô já pregava: “Prefiro mil vezes ser prejudicado a prejudicar alguém”.  Meu pai, que cresceu ouvindo esta frase, nos repassou o ensinamento: prejudicar alguém, mesmo que isso implique em um benefício próprio, é uma das piores atitudes que um ser humano pode ter.

Quando somos criança, escutamos dos nossos pais o que é certo e errado e observamos seus exemplos,  mas tem outras coisas que acontecem que acabam validando estes ensinamentos de forma bem eficaz.  Nos anos 80, havia uma série de TV chamada “Além da Imaginação”, que apresentava episódios de suspense, terror e ficção científica, que me marcou profundamente.  Primeiro, porque eu tinha uns 12 anos, era super medrosa, e não sei como meus pais me deixavam assistir isso tão tarde da noite.  Depois, porque alguns episódios tinham um fundo moral que tornava a estória inesquecível.

Foi o caso do episódio  “Button, Button”, de Richard Matheson, que foi ao ar em 1986.  Me lembro perfeitamente de detalhes do filme, como as expressões dos atores, algumas falas e principalmente o final, que me deixou estupefata.  Contava a estória de um casal em crise financeira, que recebe a visita de um estranho que entrega aos dois, uma caixa de madeira com um botão vermelho e as seguintes instruções: se eles apertarem o botão,  irão receber uma grande quantia em dinheiro, porém, alguém que eles não conhecem irá morrer.  Tinham que decidir em 24 horas entre solucionar seus problemas ao custo da morte de uma pessoa desconhecida ou abrir mão do dinheiro para poupar a vida desta pessoa.

Desculpe, mas vou ter que contar o final da estória e a cena que ficou na minha cabeça até hoje, mais de 20 anos depois de assistir ao filme. 

A mulher resolve que eles devem apertar o botão.  O homem titubeia.  Ela então, abre a redoma que protege o botão e o aperta com convicção. Aparentemente nada acontece e eles vão dormir.  No dia seguinte, na mesma hora do dia anterior, o estranho volta à casa do casal para buscar a caixa e entregar uma mala cheia de dinheiro, conforme combinado.  A mulher então, pergunta se a tal pessoa que eles não conhecem morreu.  O estranho responde que sim, pois este era o acordo.  E então, ela pergunta por que ele vai levar a caixa embora e ele diz, calmamente, que vai fazer a mesma oferta para outra pessoa.  Ela se assusta e pergunta: “Para outra pessoa? Que pessoa?” E ele responde: “Para uma pessoa que você não conhece.  E ela também não te conhece”.  A mulher arregala o olho e a cena congela com uma música arrepiante ao fundo.  Ai.

A partir deste dia, o ensinamento “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você” se solidificou dentro de mim de uma forma definitiva.  O fato irreversível de que a mulher que apertou o botão seria a próxima a morrer quando outra pessoa também tomasse a decisão de ficar com o dinheiro, ficou martelando por muito tempo na minha cabeça.  E até hoje reforça o valor moral que meus pais me ensinaram e que já estou repassando para os meus filhos: nunca prejudiquem ou façam mal a uma pessoa.  N U N C A !

Achei uma chamada da Globo de 1987 para a terceira temporada do “Além da Imaginação”.  Muito bom.

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