“Button, Button”

Alguns valores são recorrentes na lista dos obrigatórios na educação de um filho (ou deveriam ser), como a importância de não fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco.  Pelo menos este ensinamento sempre foi um dos que meus pais davam maior ênfase.  Meu avô já pregava: “Prefiro mil vezes ser prejudicado a prejudicar alguém”.  Meu pai, que cresceu ouvindo esta frase, nos repassou o ensinamento: prejudicar alguém, mesmo que isso implique em um benefício próprio, é uma das piores atitudes que um ser humano pode ter.

Quando somos criança, escutamos dos nossos pais o que é certo e errado e observamos seus exemplos,  mas tem outras coisas que acontecem que acabam validando estes ensinamentos de forma bem eficaz.  Nos anos 80, havia uma série de TV chamada “Além da Imaginação”, que apresentava episódios de suspense, terror e ficção científica, que me marcou profundamente.  Primeiro, porque eu tinha uns 12 anos, era super medrosa, e não sei como meus pais me deixavam assistir isso tão tarde da noite.  Depois, porque alguns episódios tinham um fundo moral que tornava a estória inesquecível.

Foi o caso do episódio  “Button, Button”, de Richard Matheson, que foi ao ar em 1986.  Me lembro perfeitamente de detalhes do filme, como as expressões dos atores, algumas falas e principalmente o final, que me deixou estupefata.  Contava a estória de um casal em crise financeira, que recebe a visita de um estranho que entrega aos dois, uma caixa de madeira com um botão vermelho e as seguintes instruções: se eles apertarem o botão,  irão receber uma grande quantia em dinheiro, porém, alguém que eles não conhecem irá morrer.  Tinham que decidir em 24 horas entre solucionar seus problemas ao custo da morte de uma pessoa desconhecida ou abrir mão do dinheiro para poupar a vida desta pessoa.

Desculpe, mas vou ter que contar o final da estória e a cena que ficou na minha cabeça até hoje, mais de 20 anos depois de assistir ao filme. 

A mulher resolve que eles devem apertar o botão.  O homem titubeia.  Ela então, abre a redoma que protege o botão e o aperta com convicção. Aparentemente nada acontece e eles vão dormir.  No dia seguinte, na mesma hora do dia anterior, o estranho volta à casa do casal para buscar a caixa e entregar uma mala cheia de dinheiro, conforme combinado.  A mulher então, pergunta se a tal pessoa que eles não conhecem morreu.  O estranho responde que sim, pois este era o acordo.  E então, ela pergunta por que ele vai levar a caixa embora e ele diz, calmamente, que vai fazer a mesma oferta para outra pessoa.  Ela se assusta e pergunta: “Para outra pessoa? Que pessoa?” E ele responde: “Para uma pessoa que você não conhece.  E ela também não te conhece”.  A mulher arregala o olho e a cena congela com uma música arrepiante ao fundo.  Ai.

A partir deste dia, o ensinamento “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você” se solidificou dentro de mim de uma forma definitiva.  O fato irreversível de que a mulher que apertou o botão seria a próxima a morrer quando outra pessoa também tomasse a decisão de ficar com o dinheiro, ficou martelando por muito tempo na minha cabeça.  E até hoje reforça o valor moral que meus pais me ensinaram e que já estou repassando para os meus filhos: nunca prejudiquem ou façam mal a uma pessoa.  N U N C A !

Achei uma chamada da Globo de 1987 para a terceira temporada do “Além da Imaginação”.  Muito bom.

Advertisements

3 comentários (+add yours?)

  1. Mari
    Nov 01, 2010 @ 17:42:07

    Lê, Também cresci ouvi esse comentário de meus amados pais e agora passamos p/ nossos queridos filhos. Espero que eles aprendam……Adorei!!!!!!!!
    Beijos,
    Mari

    Responder

  2. Fernanda Chade
    Nov 02, 2010 @ 17:10:21

    Lê, já recebi seu blog há algum tempo e só agora consegui escrever… estou encantada! É muito gostoso de ler…realmente você tem o dom! Só fico imaginando onde você arruma tempo!!!! Estou com saudades!!! Beijos,

    Responder

    • alousadoquintaldaminhavo
      Nov 14, 2010 @ 18:42:37

      Fezoca!!! Amei ter te encontrado e colocado nossa conversa em dia! Obrigada pelos elogios, você é uma amiga muito coruja! Vamos encontrar tempo também para nossos almoços, adoro estar com você e a Fá e ver que a nossa amizade continua tão especial! Muitos beijos querida!

      Responder

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: