Elogio ou ofensa?

Hoje fui chamada de eufemista.  Já ouvi pessoas dizendo que sou apaziguadora, suave, low profile, doce, boazinha e até enroladora, mas eufemista nunca!  Não sei se devo considerar como um elogio ou uma ofensa, mas como veio de uma amiga querida, acredito que esteja mais para uma qualidade mesmo…um adjetivo esquisito e bem intelectual, mas quer saber?  Cabe perfeitamente em mim.

Pensando bem, vivo tentando atenuar más notícias, suavizar broncas, disfarçar problemas.  Como dizem por aí, tapar o sol com a peneira ou colocar panos quentes em vez de dizer na lata, sem anestesia e com o pé no peito.

Não tenho o costume de exercitar os exemplos clássicos do Eufemismo, como trocar “morrer” por “passar desta pra melhor” ou dizer que alguém “faltou com a verdade” ao invés de “mentiu”.  Mas realmente costumo fazer umas firulas e dar algumas voltas no assunto na tentativa de evitar mensagens e conversas rudes, grosseiras ou desagradáveis.  Pode ser uma forma de defesa, de auto-proteção, uma tentativa de reduzir conflitos, mas sei que por trás desta prática há uma boa intenção.  Esta é a minha forma de lidar com situações difíceis e de me poupar (e também poupar outras pessoas) de embates e constrangimentos.

A partir deste episódio comecei a me lembrar de outras figuras de linguagem e a analisar se corro o risco de ser chamada algum dia de metafórica, onomatopéica ou quem sabe pleonástica (isso não por favor, pleonasmo é muito feio!).  E então me lembrei de uma das características mais evidentes da minha linguagem: o uso de Hipérboles –  estou sempre morrendo de sono ou com uma fome insuportável.  Sou louca pelos meus filhos e posso morrer de saudades a qualquer momento.  Já falei mil vezes a mesma coisa e estou há séculos esperando uma resposta! 

Assim como em determinadas situações sinto necessidade de minimizar o peso de uma informação, em outras – e com mais frequência – uso o exagero para dar ainda mais ênfase a sentimentos e ideias. 

Descobri que sou essencialmente eufemista e hiperbólica.  Opa, mas isso não é um Paradoxo?  😉

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Salve Ruth Rocha

Ruth Rocha é o máximo!  Amo seus livros, suas histórias, suas palavras e sua trajetória de vida.  Lembro dela quase todas as noites quando tento inventar alguma história para os meus filhos.  Já consegui emplacar algumas, que viraram hits e estão entre as preferidas dos meninos (num outro dia conto uma aqui), mas só eu sei como quebrei a cabeça para estruturar alguma coisa que fizesse sentido.  Sim, porque a história tem que ter começo, meio e fim.  Tem que ter um personagem legal e carismático e outro malvado para dar caldo.  Tem que ter alguma graça, alguma piadinha no meio – pelo menos as minhas têm que ter!  E como é uma história para crianças, é obrigatório ter uma liçãozinha de moral básica no final.  Nada fácil. 

E aí, eu pego os livros da Ruth Rocha – que enriqueceram a minha infância e agora divertem meus filhos – e fico imaginando com que facilidade ela consegue fazer isso.  Há tantos anos e tão bem.

O que dizer de “Marcelo, Marmelo, Martelo”, seu livro mais famoso, que já vendeu mais de 1 milhão de cópias?  Com certeza ele foi um dos responsáveis pela minha paixão pela leitura.  Não dá para esquecer as histórias do Dono da Bola,  da Teresinha e Gabriela e é claro, do Marcelo e seus porquês.  Um clássico obrigatório para todas as gerações.  Dentre os mais de 130 títulos já publicados por Ruth Rocha, recomendo todos os que já li: “O Reizinho Mandão”, “Um Cantinho só pra mim”, “Palavras, muitas palavras”, “Quem tem medo de quê?”, “Romeu e Julieta”, “Bom dia todas as Cores” e “O Barba Azul”.  Mas ainda quero ler todos os outros.  Os títulos estão relacionados aqui, no site da Ruth Rocha, onde dá também para se divertir com as crianças em brincadeiras de palavras, como Cruzadinhas e O que é, o que é?.  Lá também tem a história de vida da Ruth, que começou a carreira como jornalista e só depois se enveredou para a literatura infantil. 

Mas o que me inspirou mesmo para escrever este post sobre a Ruth Rocha, foi uma matéria publicada na Revista Mais – do Programa de Relacionamento do Pão de Açúcar, por acaso meu cliente – em que ela fala sobre o AMOR.  Vale a pena conferir a entrevista completa no site do Mais.  O texto já começa dizendo que “Ruth Rocha é fácil de amar” e conta a trajetória dos seus quase 80 anos, sob a perspectiva do amor.  Amor aos pais, ao marido – com quem está casada há 54 anos – à única filha, aos netos e a todas as crianças, que aprendem através de suas histórias, valores como justiça, sinceridade e igualdade de direitos.  Para ilustrar este dom de transformar histórias em mensagens, um trecho da entrevista em que ela conta um episódio que viveu com a filha:

“Não é à toa que começou a escrever histórias para crianças quando sua filha única, Mariana, lhe pedia para inventar causos, e um dia, como todas as crianças, veio com pergunta desconcertante. “Todo preto é pobre?” Ruth sapecou na hora um conto sobre o amor de duas borboletas que não podiam ficar juntas porque uma era azul, a outra, amarela. “Elas se casavam no final e tinham como filho uma borboleta verde. Aí fui falando mais sobre racismo, sobre temas assim”, diz Ruth, que para explicar a pobreza precisou esperar a menina crescer um pouquinho e lhe contar os fatos na real.”

É, Ruth Rocha é bem fácil de amar!  Salve Ruth!

Ruth Rocha

Desgruda!

Eu sofro muito deste mal.  Músicas insuportáveis que grudam na minha cabeça o dia inteiro e me fazem cantarolar repetidamente e involuntariamente seu refrão.  O problema é que essas músicas chiclete são geralmente aquelas chatíssimas e cafoníssimas que basta ouvir uma vez e pronto: não desgrudam mais.  Eu sou uma vítima constante: vivo querendo me livrar de refrões como “bom chi bom chi bom bom bom” ou “te dei o sol te dei o mar pra ganhar seu coração” ou “vou não, quero não, posso não, minha mulher não deixa não…”.  Enfim, um repertório enorme de músicas que vivem martelando na minha cabeça, despertadas às vezes por uma palavra ou frase que lembra alguma parte delas ou porque estão na moda e não param de tocar nas rádios, TV, lojas, restaurantes…não dá para escapar!

Você também vive com músicas chicletonas grudadas em seu ouvido?  Seus problemas acabaram! 

Chegou o site Desescute, que promete resolver este mal com uma solução baseada em novos estudos científicos sobre Impregnação Melódico-Cerebral Já conferi e posso dizer que, apesar do método não ser muito simpático, funciona.  Vai lá!

A solução é simples: uma música pior e ainda mais grudenta!

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