Onde nós estamos?

“Cinema | Branca de Neve revolta-se contra a madrasta, que será Julia Roberts”

Branca de Neve vai se vingar da madrasta com a ajuda dos sete anões.  A rainha má será a Julia Roberts.

Julia Roberts, a eterna Linda Mulher, agora fará papel de bruxa.  A Branca de Neve, de coração puro, incapaz de fazer mal a uma mosca, vai tramar uma vingança cruel contra a madrasta.  E ainda com a ajuda dos fofos dos anões! 

Este mundo está de pernas pro ar mesmo!

“Button, Button”

Alguns valores são recorrentes na lista dos obrigatórios na educação de um filho (ou deveriam ser), como a importância de não fazer com os outros o que não gostaríamos que fizessem conosco.  Pelo menos este ensinamento sempre foi um dos que meus pais davam maior ênfase.  Meu avô já pregava: “Prefiro mil vezes ser prejudicado a prejudicar alguém”.  Meu pai, que cresceu ouvindo esta frase, nos repassou o ensinamento: prejudicar alguém, mesmo que isso implique em um benefício próprio, é uma das piores atitudes que um ser humano pode ter.

Quando somos criança, escutamos dos nossos pais o que é certo e errado e observamos seus exemplos,  mas tem outras coisas que acontecem que acabam validando estes ensinamentos de forma bem eficaz.  Nos anos 80, havia uma série de TV chamada “Além da Imaginação”, que apresentava episódios de suspense, terror e ficção científica, que me marcou profundamente.  Primeiro, porque eu tinha uns 12 anos, era super medrosa, e não sei como meus pais me deixavam assistir isso tão tarde da noite.  Depois, porque alguns episódios tinham um fundo moral que tornava a estória inesquecível.

Foi o caso do episódio  “Button, Button”, de Richard Matheson, que foi ao ar em 1986.  Me lembro perfeitamente de detalhes do filme, como as expressões dos atores, algumas falas e principalmente o final, que me deixou estupefata.  Contava a estória de um casal em crise financeira, que recebe a visita de um estranho que entrega aos dois, uma caixa de madeira com um botão vermelho e as seguintes instruções: se eles apertarem o botão,  irão receber uma grande quantia em dinheiro, porém, alguém que eles não conhecem irá morrer.  Tinham que decidir em 24 horas entre solucionar seus problemas ao custo da morte de uma pessoa desconhecida ou abrir mão do dinheiro para poupar a vida desta pessoa.

Desculpe, mas vou ter que contar o final da estória e a cena que ficou na minha cabeça até hoje, mais de 20 anos depois de assistir ao filme. 

A mulher resolve que eles devem apertar o botão.  O homem titubeia.  Ela então, abre a redoma que protege o botão e o aperta com convicção. Aparentemente nada acontece e eles vão dormir.  No dia seguinte, na mesma hora do dia anterior, o estranho volta à casa do casal para buscar a caixa e entregar uma mala cheia de dinheiro, conforme combinado.  A mulher então, pergunta se a tal pessoa que eles não conhecem morreu.  O estranho responde que sim, pois este era o acordo.  E então, ela pergunta por que ele vai levar a caixa embora e ele diz, calmamente, que vai fazer a mesma oferta para outra pessoa.  Ela se assusta e pergunta: “Para outra pessoa? Que pessoa?” E ele responde: “Para uma pessoa que você não conhece.  E ela também não te conhece”.  A mulher arregala o olho e a cena congela com uma música arrepiante ao fundo.  Ai.

A partir deste dia, o ensinamento “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você” se solidificou dentro de mim de uma forma definitiva.  O fato irreversível de que a mulher que apertou o botão seria a próxima a morrer quando outra pessoa também tomasse a decisão de ficar com o dinheiro, ficou martelando por muito tempo na minha cabeça.  E até hoje reforça o valor moral que meus pais me ensinaram e que já estou repassando para os meus filhos: nunca prejudiquem ou façam mal a uma pessoa.  N U N C A !

Achei uma chamada da Globo de 1987 para a terceira temporada do “Além da Imaginação”.  Muito bom.

Comer Rezar Amar

Fui assistir ao filme Comer Rezar Amar, apesar de ter resistido à leitura do livro, que pré-julguei como mais um de auto-ajuda feminina na linha de “Homem Cobra, Mulher Polvo” ou “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus”.  Parece que eu estava errada.  Apesar da história ser meio água com açúcar, ela não tem a pretensão de dar lições de moral ou apontar diferenças comportamentais entre os sexos.  É apenas o relato de uma mulher, cheia de dúvidas, questionamentos e frustrações, que toma a decisão de mudar radicalmente de vida.

Comecei a me interessar pelo filme quando percebi o alvoroço que a previsão da estréia causou na mulherada.  Muitas amigas se mobilizaram para organizar um dia de cinema “só para meninas” e ainda encontros posteriores só para discutir o assunto.  Embarquei na animação e confesso que me rendi de vez quando vi que o filme tinha como protagonistas a Julia Roberts e o Javier Bardem. 😉

Liz Gilbert é uma mulher de trinta e tantos anos que vive uma crise no seu casamento e decide largar tudo para fazer uma viagem sabática de um ano pela Itália, India e Indonésia.  O filme não mostra nenhum problema real pelo qual ela esteja passando para tomar tal decisão.  Ela tem um casamento estável e morno (qual a novidade?), mas com um homem que a ama muito, uma casa linda e confortável, um trabalho como escritora, amigos, família…enfim, nenhum problema que justificasse uma pessoa querer “sair de fininho pela porta dos fundos e só parar de correr quando chegasse à Groenlândia” – como ela diz no filme.  Mas ok, todo mundo tem direito a ter crises existenciais e questionar a sua felicidade.  Mas ela se afundou tanto no seu vazio interior e infelicidade, que tomou a decisão radical de sumir do mapa e tentar achar seu equilíbrio seguindo um roteiro já determinado: Itália para resgatar pequenos prazeres como Comer, India e Indonésia para Rezar e buscar seu autoconhecimento.  O Amar veio de carona no último destino, pois até então ela não sabia que iria se deparar com um brasileiro sedutor (Javier Bardem) em Bali, por quem se apaixonaria. 

Assim, o tripé Comer Rezar Amar se completa na viagem de 1 ano, tempo suficiente para ela engordar uns quilinhos, fazer muitos amigos, conhecer lugares fantásticos, culturas diferentes e encontrar o grande amor da sua vida.

O filme tem uma fotografia linda,  trilha sonora com músicas brasileiras e umas tiradas engraçadas, como quando Felipe (Javier Bardem), chama Liz (Julia Roberts) de “falsa magra”, uma expressão bem brasileira, falada em português com sotaque de sei-lá-o-que pelo ator.  Me marcaram também algumas frases bacanas, como uma dita por uma amiga de Liz no começo do filme: “Ter filho é como fazer uma tatuagem bem no meio do rosto. É uma decisão definitiva, não dá para voltar atrás.”

Enfim, é um filme que vale a pena assistir, principalmente pela mulherada que às vezes tem aquela vontade de jogar tudo para o alto e embarcar em uma aventura pelo mundo, só para pensar na vida, passear, se divertir, dançar, beber, comer, rezar e amar.

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