Just Married

Ontem fiz 10 anos de casada.  Não vou nem comentar o quanto o tempo passou rápido e nem entrar em detalhes de um relacionamento que na verdade já dura quase 17 anos – contando com o tempo de namoro.  Até porque precisaria de um blog exclusivo para contar todas as histórias, surpresas, sustos, alegrias, decepções, conquistas, viagens, brigas e milhões de outros momentos que vivemos juntos durante todo este tempo.  Muito tempo, muita coisa, ave Maria!  Também não vou fazer apologia ao casamento e muito menos destruir sonhos de mocinhas (e mocinhos, por que não?) que ainda querem casar e viver felizes para sempre.  Cada um tem seu caminho, suas escolhas e seu destino.

Quero falar sobre o evento casamento, que sem dúvida nenhuma, é um dos momentos mais inesquecíveis da vida de qualquer pessoa.  Me refiro à comemoração da união de duas pessoas.  Com ou sem glamour, com ou sem cerimônia religiosa, com ou sem dinheiro, com ou sem bem-casados, é a celebração do amor e da vontade declarada de duas pessoas de compartilhar o seu futuro com a outra.  É sacramentar a sua disposição de confiar à outra pessoa os seus sonhos e planos.

O meu casamento foi bem emocionante.  Na verdade, estava mais para uma novela mexicana de tanto que as pessoas choraram durante a cerimônia.  Até hoje não sei bem como se deu aquela comoção generalizada na igreja.  A única coisa que tenho certeza é que o desencadeador do chororô foi o Alexandre, que abriu o berreiro – chorou de soluçar mesmo – logo quando eu entrei na igreja.  Todos ficaram em choque.  O Alexandre?  O cara mais durão, mais racional e menos emotivo que todo mundo ali conhecia?  Eu nunca tinha visto ele chorar em 7 anos de namoro.  Quando dei de cara com ele no altar em prantos, achei por alguns milésimos de segundo que tinha acontecido alguma desgraça.  Que talvez ele estivesse arrependido.  Várias coisas me passaram pela cabeça até eu olhar para os lados e conferir que estava tudo certo.  Ele estava apenas emocionado. 🙂

Adorei ter preparado todos os detalhes do meu casamento.  É muita coisa para pensar e providenciar, confesso que fiquei quase louca, mas sinto saudades daquela época (apesar de parecer ter sido ontem).  O evento casamento implica em muitos preparativos, muitas decisões e muita energia.  Me lembro de alguns episódios muito divertidos que valeram todo o cansaço e o trabalho que tive, mas também de micos e coisas que deram completamente errado.

Esta é a minha listinha do melhor e do pior de um casamento (veja bem, de um evento de casamento, não dos meus 10 anos de casamento), desde os preparativos até a festa.

O MELHOR

– Fazer todas as degustações nos fornecedores: do coquetel, do jantar, dos docinhos, do bolo, dos bem-casados…é sem dúvida a melhor parte dos preparativos, já que na festa do casamento a noiva não come nada, ou se come, nem sente o gosto.

– Ver a cara da sua mãe (e da sua irmã) quando você experimenta um vestido de noiva pela primeira vez.

– Fazer o teste de cabelo e maquiagem e sair depois com as amigas para aproveitar o look.

– Escolher a playlist do DJ – a festa é sua, você escolhe tudo!

– Fazer listas de presentes nas lojas.  Você vai passeando com a vendedora pela loja e só vai dizendo: – Quero isso, isso, isso também, aquilo, aquele outro também…hum, acho que quero esse aqui também…

– Convidar as madrinhas e padrinhos.  É uma forma de dizer o quanto aquelas pessoas são especiais na sua vida.

– Dar tchauzinho de dentro do carro quando você está indo para a igreja vestida de noiva.  Todas as pessoas param para olhar e você se sente a própria miss universo.

– O frio na barriga e o nó na garganta que dá quando as portas da igreja abrem e a música toca para você entrar – não, eu não entrei ao som da marcha nupcial (muito padrão para a minha cabeça ;))

Ganhar aplausos após o beijo na igreja. Há 10 anos atrás isso não era comum, foi a primeira vez que vi um padre pedir aplausos para os noivos.

– No meu caso, ter parado durante a saída da igreja para dar um beijo na minha avó, que estava sentadinha em um dos primeiros bancos com os olhos cheios d´água.

– Saber que naquele dia você conseguiu reunir todas (ou quase todas) as pessoas que você mais gosta, simplesmente para comemorar a sua felicidade.

– Levar para a lua de mel uma caixinha com os doces e bem-casados da festa.

O PIOR

– Sem dúvida, fazer a lista de convidados, quer dizer, fazer o corte na lista de convidados.  O problema é ainda maior se você trabalha e se relaciona bem com todo mundo do escritório.

– Ainda no assunto lista, ter que convidar a tia avó do seu pai que mora em Pirapora do Norte porque se não convidar, fica chato para a família.

– Se for casar na igreja, ter que combinar a decoração com as outras noivas do dia.  Se pega uma menina brega e chata, é uma dor de cabeça sem fim.

– O episódio igreja tem muitas chatices, uma delas é reunir toda a documentação exigida, que inclui certificado de Batismo e Comunhão.

– Ter que fazer curso de noivos.  Definitivamente inútil.

– Fazer planilhas e planilhas para conseguir controlar os gastos intermináveis.

– Ser explorada pelos fornecedores que acham que você é uma mina de ouro.  Eles tem plena convicção de que, como o casamento geralmente é a realização de um sonho, podem cobrar o que quiserem pelos seus serviços.

– Ter a sensação (e a constatação) de ter gasto uma fortuna em uma só noite.

– Perceber no meio da festa que algum fornecedor não entregou o que foi combinado.  Sim, aconteceu comigo.  Sem comentários.

Mas no final, só ficam as lembranças boas e um gosto de quero mais.  Se não estivéssemos tão falidos com a compra do apartamento novo, com certeza faríamos alguma comemoração nestes 10 anos de casados.

Hoje, bem mais do que há 10 anos atrás, sabemos o quanto esta data merece ser comemorada.

O auge do chororô. E as luvas que eram um must há 10 anos atrás?

Choradeira geral

O início dos 10 anos

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Mãe

Chegou o dia.  Hoje é o aniversário da minha mãe e como prometido, vou escrever sobre o meu amor por ela. (ops, passou da meia noite, o aniversário foi ontem, dia 20)

Ela é ciumenta.  Ariana brava.  Ficou magoada com a declaração de amor que fiz para o meu pai no dia do seu aniversário.  Como se não tivesse sobrado amor ou palavras para ela.  Mãe, o que não me faltam são palavras e muito menos amor, principalmente para você, a quem devo minha vida e tudo que sou hoje.  O que seria de mim sem você, mãe? 

Minhas lembranças mais doces da infância são dos seus carinhos e cuidados quando eu  ficava doente.  Lá vinha dona Maura colocar toalhinha molhada na minha testa para abaixar a febre, lencinho com álcool no pescoço para melhorar a dor de garganta, purê de batata e chá para o estômago, e um arsenal de remedinhos e pomadinhas para qualquer situação.  Até hoje, tem sempre uma receitinha ou solução imediata para melhorar qualquer sintoma, nem que seja apenas uma água com açúcar.  Na minha adolescência, sempre recebeu minhas amigas em casa com todo o carinho e com o seu famoso patê de atum 🙂  e ainda é muito querida por todas elas.

Ela se considera fraca, mas para mim, é uma guerreira.  Desde muito cedo, teve que enfrentar a vida sem mãe.  Como alguém consegue ser mãe sem ter tido uma mãe?  Minha mãe conseguiu.  E sinto muito orgulho disso.  Da sua capacidade de superar o insuperável e de aprender sozinha o ofício mais importante que existe. 

Sei que abriu mão de muita coisa para se dedicar ao casamento e às filhas.  Sei que sofreu com a falta de experiência e referência de uma familia estruturada para lhe dar apoio.  Sei que acha que errou com o seu excesso de preocupação e zelo.  Sei que algumas coisas não aconteceram como ela sonhava.  Sei que gostaria de ter vivido muitas coisas que não aconteceram.  Sei exatamente tudo o que ela sente.

Sei também que ela se faz de durona, mas se derrete diante de qualquer demonstração de carinho (principalmente dos netos).  É séria, mas chora de rir por qualquer besteira ou palhaçada.  É apaixonada por crianças e não consegue se conter diante de um bebê fofo (por quem será que eu puxei?).  Adora conversar, fofocar, tricotar e comentar todos os assuntos.  Sabe tudo de português e é cheia de palavras difíceis – vive dizendo que eu sou uma perdulária (e tem toda razão!).  Generosa, está sempre pronta a ajudar – e como me ajuda!!! – deixa de fazer qualquer coisa para me socorrer quando preciso.  Reclama que é obrigada a cozinhar todos os dias, mas adora fazer uma comidinha especial para nos agradar – amo especialmente o seu feijão, estrogonofe, quiabo, creme de milho, bolinho de arroz e a farofa com banana! 

Mãe, com você aprendi a gostar de ler e a ter sempre um livro na cabeceira da cama. 

Aprendi que  limites e regras também são demonstração de amor. 

Aprendi a diferença entre corujice e dedicação.  A não fechar os olhos para os defeitos, mas sim encará-los para tentar melhorar.

Aprendi a dizer não.  E a dizer sim nas horas certas.

Aprendi a confiar desconfiando.

Aprendi a gostar de música italiana 😉

Aprendi que pequenas gentilezas e delicadezas fazem toda a diferença.

Aprendi que a organização faz bem para a alma.

Aprendi a gostar de pessoas e de ouvir o que elas tem a dizer.

Aprendi o valor da família, da educação e do caráter.

Com você, aprendi a ser mãe. 

Te amo, mãe, você também é meu diamante rosa!

Benção de madrinha

Sábado passado foi o Batizado do meu sobrinho Henrique.  Eu fui a madrinha, e pela terceira vez na vida, tive a felicidade de assumir este compromisso com uma criança que eu amo tanto. 

Já batizei o Diego, o Ricardo e agora o Henrique.  Tenho plena consciência da responsabilidade de uma madrinha, que vai muito além de participar dos momentos importantes da vida do afilhado e dar presentes bacanas em datas especiais.  Há quem escolha os padrinhos pensando nas pessoas mais próximas e apropriadas para assumir a criação da criança na falta dos pais – neste caso, irmãos deveriam ter os mesmos padrinhos – e há quem use outros critérios, como amizade, admiração, gratidão e até, infelizmente, interesse.  Mas qualquer que seja a escolha, os padrinhos devem ter sempre em mente que, assim como tornar-se pais, batizar uma criança é uma atitude irreversível, um compromisso para toda a vida.

Quando me tornei madrinha do Diego, Ricardo e Henrique, assumi esta função com todas as responsabilidades que ela exige e toda a alegria que ela proporciona.  Enquanto eu estiver viva, eles poderão contar comigo para absolutamente tudo o que precisarem (também vale para meus outros sobrinhos que eu não batizei mas amo da mesma forma!).  Nesta última cerimônia de batismo, entretanto, descobri – ou relembrei, não sei – mais um poder que é concedido aos padrinhos e que eu nunca tinha praticado antes: o de abençoar seus afilhados.  Aquele costume antigo de pedir a benção aos pais e padrinhos e receber de volta o sinal da cruz na testa com um “Deus te abençõe”, não é só um ritual que demonstra respeito aos mais velhos.  É claro que tudo é uma questão de fé (o que não me falta), mas achei emocionante saber que os padrinhos podem dar uma benção através de palavras ou gestos com a mesma propriedade dos pais ou mesmo de um padre. 

Enfim, tudo para dizer que meus afilhados, além do meu amor incondicional, tem também a minha benção.

Não posso deixar de falar dos meus padrinhos, tia Leila e tio Nivaldo, que estiveram e estão do meu lado em todos os momentos da minha vida.  Muito mais do que isso, eles conseguem com o seu amor e dedicação, fazer com que eu me sinta uma verdadeira filha deles.  Sei o quanto eles torcem por mim, o quanto se orgulham de tudo o que eu faço (eles também tem uma forte propensão à corujice) e o quanto me amam incondicionalmente.  Como uma filha.  E eu os amo como pais.  Eles são minha inspiração para que, como madrinha, eu também possa ser um porto seguro e uma segunda mãe para os meus afilhados.  Quero que eles também experimentem o privilégio de poder contar com duas mães e dois pais.  Porque eu sempre tive esta felicidade e sei o quanto é maravilhoso poder dizer de boca cheia que tenho os melhores padrinhos do mundo! 

Ah, lembrei que todas as vezes que a tia Leila se despede de mim, seja pessoalmente ou por telefone, sua última frase é sempre a mesma: “Deus te abençõe, minha linda!”

Elogio ou ofensa?

Hoje fui chamada de eufemista.  Já ouvi pessoas dizendo que sou apaziguadora, suave, low profile, doce, boazinha e até enroladora, mas eufemista nunca!  Não sei se devo considerar como um elogio ou uma ofensa, mas como veio de uma amiga querida, acredito que esteja mais para uma qualidade mesmo…um adjetivo esquisito e bem intelectual, mas quer saber?  Cabe perfeitamente em mim.

Pensando bem, vivo tentando atenuar más notícias, suavizar broncas, disfarçar problemas.  Como dizem por aí, tapar o sol com a peneira ou colocar panos quentes em vez de dizer na lata, sem anestesia e com o pé no peito.

Não tenho o costume de exercitar os exemplos clássicos do Eufemismo, como trocar “morrer” por “passar desta pra melhor” ou dizer que alguém “faltou com a verdade” ao invés de “mentiu”.  Mas realmente costumo fazer umas firulas e dar algumas voltas no assunto na tentativa de evitar mensagens e conversas rudes, grosseiras ou desagradáveis.  Pode ser uma forma de defesa, de auto-proteção, uma tentativa de reduzir conflitos, mas sei que por trás desta prática há uma boa intenção.  Esta é a minha forma de lidar com situações difíceis e de me poupar (e também poupar outras pessoas) de embates e constrangimentos.

A partir deste episódio comecei a me lembrar de outras figuras de linguagem e a analisar se corro o risco de ser chamada algum dia de metafórica, onomatopéica ou quem sabe pleonástica (isso não por favor, pleonasmo é muito feio!).  E então me lembrei de uma das características mais evidentes da minha linguagem: o uso de Hipérboles –  estou sempre morrendo de sono ou com uma fome insuportável.  Sou louca pelos meus filhos e posso morrer de saudades a qualquer momento.  Já falei mil vezes a mesma coisa e estou há séculos esperando uma resposta! 

Assim como em determinadas situações sinto necessidade de minimizar o peso de uma informação, em outras – e com mais frequência – uso o exagero para dar ainda mais ênfase a sentimentos e ideias. 

Descobri que sou essencialmente eufemista e hiperbólica.  Opa, mas isso não é um Paradoxo?  😉

Nostálgico Valentine’s Day

Pensando em não passar o Valentine’s Day em branco – sinceramente gosto bem mais do nosso 12 de junho – me lembrei do primeiro álbum de figurinhas que completei na vida.  Devia ter uns 7 anos e por incrível que pareça, o álbum não era dos Ursinhos Carinhosos ou da Turma da Mônica.  Eram as famosas figurinhas de um casal de bonecos peladinhos que ilustravam frases ingênuas – quase bobas – sobre o amor.  “AMAR É…” era uma febre nos anos 80, e encantava as menininhas sonhadoras que ainda brincavam de Barbie – quer dizer, Susi. 

PS: Procurando pelas imagens das figurinhas “Amar é…”, achei 3 outros álbuns da mesma época que me marcaram muito também. Quando me deparei com estas fotos, meu coração até disparou!  Elas subitamente me levaram aos meus 7 anos e senti por milésimos de segundo a sensação que tinha quando colava as figurinhas nestes álbuns.  Incrível como temos lembranças detalhadas da nossa infância guardadas na memória, mas que, se não são estimuladas ficam adormecidas para sempre.  Será que algum dia ia lembrar disso na vida? 

"Bem me quer" - 1982

Meu Deus, me lembro perfeitamente destas figurinhas!

"Fofura" - 1982

Cada página começava com uma letra, e algumas figurinhas tinham detalhes brilhantes - inédito na época

"Ploc Monsters" - tinha que raspar no verso da figurinha para colar

Não lembro se tinha Leticia!

 

Agora dá licença que eu vou procurar o meu Atari e minhas fofoletes…

Todas as imagens são do site Retromotoca.

Diamantes

Hoje é um dia especial.  Muito especial.  É o aniversário da pessoa que mais me ama neste mundo. 

Peço desculpas à todas as pessoas que também me amam, mas a forma incondicional e profunda que meu pai me ama é insuperável.  Posso dizer isso com toda a tranquilidade do mundo, pois desde que me entendo por gente, esta é uma certeza que me acompanha e que me faz querer ser uma pessoa cada vez melhor.  

Meu pai vive dizendo que suas filhas e seus netos são seus diamantes azuis.  Os mais raros e valiosos que existem.  Seu amor é desmedido, declarado e infinito.  Receber este amor é um privilégio e uma sensação que todo mundo devia experimentar e pela qual já vale a pena viver.

Sim, ele tem defeitos (vários, mas não vou falar sobre isso no dia do seu aniversário).  Sim, a gente discorda em muitos assuntos. Sim, às vezes a gente briga.  Sim, ele é a pessoa mais teimosa que eu conheço.  Sim, é exagerado em todos os sentidos (desde a forma como se dedica às pessoas que ama até a mania de jogar tudo o que encontra pela frente no lixo).  Mas é o meu herói.  É a minha referência de caráter, de inteligência e de amor. 

Apesar de merecer um texto só para ela (e terá, aguarde!), não vou deixar de falar neste momento da minha mãe, que mesmo vivendo em pé de guerra com meu pai, completa perfeitamente a equação pai-mãe da minha família.  Seu amor é demonstrado de forma mais controlada e equilibrada, dosado pelo bom senso e uma história de vida nada fácil.  Mesmo assim, a todo momento, escapam faíscas de dedicação e rompantes de carinho que nem D. Maura consegue evitar.  Mas esta já é uma outra história.

Hoje, a homenagem é para meu pai, que faz jus a todos os significados possíveis desta palavra.  Correto ao extremo, íntegro, justo, generoso.  Cheio de frases de efeito, lições de moral e tiradas engraçadas.  Bem informado, culto, bem-humorado.  Tímido, gentil, educado. Uma companhia agradabilíssima, sempre com alguma informação interessante para dar, um comentário a fazer ou uma piadinha sem graça para descontrair.  Carinhoso, costuma chamar as pessoas pelo nome no diminutivo – nossas amigas de infância sempre foram Flavinha, Gezinha, Marcelinha, Marianinha – e usar superlativos e aumentativos para elogiá-las.  Exagerado nas atitudes e nas palavras, tudo para ele é espetacular, sensacional ou formidável.

Bom, apesar de não querer falar sobre defeitos neste texto, não vou resistir em destacar 2 pontos muito importantes:

1) Ele é um estraga-neto de primeira – faz absolutamente TUDO o que eles querem, não importa se é certo ou errado.

2) Está enganado – na verdade, desatualizado – em relação ao assunto do diamante azul.  Atualmente, a pedra mais valiosa do mundo é o diamante rosa (O Globo, 17/11/2010).

Tudo bem, ele continua sendo o meu herói. 

Pai, obrigada por tudo. 

Você é meu diamante rosa.  Te amo.

Banho de porquês

Meu filho de 2 anos e meio está na fase dos porquês.  Além disso, é uma criança muito teimosa e desafiadora, que não desiste fácil quando cisma com alguma coisa ou assunto. 

O momento é a hora do banho.  Ele já toma banho no chuveiro e tem absoluta certeza de que sabe perfeitamente se ensaboar, enxaguar e enxugar sozinho.  Tenho que inventar mil artifícios e histórias para convencê-lo a me deixar ajudar em alguns momentos.  O resultado são banhos demorados e cheios de oportunidades de interagir e tentar ensiná-lo a realmente se lavar sozinho.

Começou assim: – Mamãe, puquê o sabonete arde o olho? (ele tinha esfregado os olhos com a mão ensaboada)

– Porque ele serve para limpar a nossa pele e não os olhos. (falei meio sem certeza de que essa era a resposta certa)

– Puquê ele seve pa limpá?

– Hum…porque ele é feito especialmente para tirar a sujeira do nosso corpo. (estava com menos certeza ainda do que na primeira resposta) 

– Mas…puquê?

– Por que o que, meu amor?

– Puquê ele arde?

Ai caramba, o negócio estava ficando complicado.  Percebi que nunca tinha pensado neste assunto.  Minhas respostas não estavam satisfazendo a curiosidade dele.  Ou então eu não estava sendo didática o suficiente.  Ou ele estava me desafiando?  Enfim, pensei mais um pouco e respondi: – Porque o sabonete tem um perfuminho dentro, que faz esta espuminha que limpa o nosso corpo, mas que arde se entrar nos nossos olhos.

Vi que tinha me complicado ainda mais tentando usar uma linguagem infantilizada:

– Mas puquê faz epuminha, mamãe?

– É que a espuminha…(ai meu Deus, e agora?) a espuminha…é…é…ela aparece quando esfregamos o sabonete, e aí, ela é importante porque pega a sujeirinha da nossa pele e leva embora junto com a água.  Entendeu?

Olhei para ele quase que implorando por um sim.

– Tá bom, mamãe.

Ufa!  Ele se contentou com a resposta.  Ficou um tempinho ensaboando a barriga e olhando atentamente para a tal da espuminha mágica que leva a sujeira embora.  Eu estava orgulhosa com meu poder de convencimento – ou de enrolação – quando ele levantou a cabeça e disse:

– Mas mamãe?  Puquê a epuminha arde o olho?

NÃO!!!  Meu repertório de respostas esfarrapadas para assuntos nunca antes analisados estava esgotado!  Não aguentava mais falar sobre sabonete e espuminha!  Respirei fundo, olhei para ele bem séria e disse de forma muito convicta:

– É porque tem SODA CÁUSTICA, é por isso!

– Soda cáxica?

– É, Thiago, SODA CÁUSTICA, ok?  É ela que faz arder o olho.  (não tinha ideia se soda cáustica era realmente um componente do sabonete, fazia sentido na minha cabeça e falei como um último pedido de socorro).

Ele colocou o sabonete na saboneteira, pegou um brinquedinho no chão do box e não falou mais no assunto.  Passei o resto do banho com medo que ele resolvesse me perguntar sobre a “soda cáxica”.  Mas não perguntou.  Perguntou por que a aguinha continuava saindo depois que eu desligava o chuveiro, por que a toalha dele era azul e a do Pedro verde, por que ele não estava vendo nada no espelho (embaçado) e por que tinha que pôr a roupa pra gente passear (essa pergunta ele faz no final de todos os banhos).

Depois do episódio, fiquei tentando descobrir o que teria feito ele parar de perguntar sobre o bendito sabonete.  Será que ele percebeu a minha cara de aflição e impaciência?  Será que ficou com pena de mim ou apenas cansou do assunto?  Ou será que a soda cáustica foi tão poderosa que ele imaginou que aquele nome esquisito devia mesmo fazer arder os olhos?

Não sei.  Só sei que se ele perguntasse sobre sexo, estaria bem mais preparada! 🙂

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